quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Versão 3D do filme O REI LEÃO

A versão 3D do filme O REI LEÃO estreia no dia 26 de agosto nos cinemas. Em entrevista a Disney, o estereógrafo Robert Neuman fala sobre os bastidores da versão tridimensional de O REI LEÃO.


Há quanto tempo existe o cinema 3D?
Todos nós sabemos que o cinema 2D tem uma rica história abrangendo mais de um século, mas o cinema 3D existe há bem mais tempo do que as pessoas pensam. Ainda nos anos 30, os irmãos Lumiere – que inventaram o cinema – refizeram um dos seus filmes em 3D. Eles estavam convencidos de que o 3D seria a próxima evolução no ato de contar histórias, mas isso não pegou naquele período da história. Isso significa que o cinema 3D existe há aproximadamente 80 anos, mas felizmente agora nós já passamos da fase do artifício. Hoje estamos prontos para usar o 3D como instrumento para contar uma história melhor.

O que o 3D acrescenta a um filme animado como O REI LEÃO?

Do meu ponto de vista enquanto cineasta, o aspecto mais importante de um filme é a história. Eu sabia que nós poderíamos adicionar alguma coisa à história de O REI LEÃO com o 3D. Se não pudéssemos usar o 3D para dar um brilho maior à história, eu não teria me interessado pelo projeto. Entretanto, eu sabia que poderíamos pegar este clássico e acrescentar algo a ele – e acredito que isso é exatamente o que fizemos com O REI LEÃO 3D.

O que o trabalho de Estereógrafo implica?

Como estereógrafo em O REI LEÃO 3D, eu sou responsável por todos os aspectos 3D da fotografia. Eu fiz o design do visual 3D do filme, o que envolveu pensar como os personagens iam ficar em 3D, assim como o que ia recuar na tela e o que ia sair da tela quando você assistisse em 3D. Eu também tive que arranjar uma maneira de usar a profundidade para dar mais brilho à história, o que era de importância máxima.

Como você usa a profundidade como uma ferramenta para contar a história?

A forma como eu aproximo a profundidade do filme é criando uma trilha de profundidade, que é um processo similar à maneira que um compositor cria uma trilha sonora. O compositor usa as subidas e quedas da trilha para ressoar o conteúdo emocional do filme. Eu tento fazer a mesma coisa com a profundidade em um filme.

Como você fez isso em O REI LEÃO?

Para fazer isso com profundidade, eu criei uma tabela que segue a história do filme. Eu quantifiquei a tabela numa escala de um a dez. Em um Nível Um seria uma cena que tem um conteúdo emocional muito baixo, por exemplo uma cena exposicional. Em um Nível Dez seria um grande momento emocional no filme, uma grande sequência de ação ou um ponto de ação climático. Eu chamo a tabela de ‘roteiro da profundidade’.

O que você faz com o roteiro da profundidade?

Eu igualo a profundidade estereoscópica à profundidade emocional. Em outras palavras, as cenas no roteiro de profundidade com valor de um ganham uma quantidade mínima de profundidade. A gente tira todas as paradas nas cenas com valor de dez usando o máximo de profundidade possível. Adicionalmente, se tem uma cena onde nós devemos nos sentir separados de um personagem, então eu ponho o personagem mais longe no cenário. Se nós devemos nos sentir conectados a um personagem, eu o trago mais pra frente. Dessa forma, nós não estamos usando o 3D aleatoriamente. Estamos usando o 3D como parte da narrativa.

O estereógrafo é responsável por mais alguma coisa em um filme?

Eu também passo um bom tempo pensando no conforto do espectador. Tem vários filmes em 3D que não levam em conta o conforto de quem assiste quando são feitos. Eles não preservam a continuidade da profundidade para assegurar uma boa experiência para o espectador, mas isso foi extremamente importante para nós. Eu queria assegurar que o espectador ficaria confortável e que os seus olhos não ficariam cansados ao assistir à ação em 3D.

Qual era o tamanho da equipe que trabalhou na conversão de O REI LEÃO?

Uma equipe de 60 artistas trabalhou no projeto, além de quatro Supervisores de Sequências e eu, o Supervisor de Estereocopia. Nós dividimos os artistas em equipes que pegariam uma sequência de cada vez. Dessa forma, poderíamos assegurar que haveria uma continuidade do 3D naquela sequência.

Quanto tempo levou para converter o filme para o 3D?

Levou quatro meses para completar a conversão. Foi extremamente desafiador e bastante cansativo durante quatro meses, mas nós chegamos lá no final. Não poderíamos estar mais orgulhosos do resultado.

Qual foi o primeiro passo no processo de conversão?

No início, nossa equipe de tecnologia teve que desarquivar o filme original. O REI LEÃO foi um dos primeiros filmes criados com um pioneiro sistema de tinta e pintura digital que a Disney desenvolveu chamado CAPS. Antes disso, tudo era pintado à mão e era fotografado com câmeras multi-plano. A equipe da tecnologia teve que converter o sistema antigo para imagens que nós pudéssemos usar. Tendo as imagens, pudemos começar a conversão.

Qual foi a cena mais difícil de converter para o 3D?

O estouro da manada foi bem difícil. Tinha um monte de elementos de efeitos naquela sequência e tinha uma manada inteira para se lidar. Nós também descobrimos que alguns personagens do filme eram mais difíceis que outros. As idiossincrasias do design do pássaro Zazu foram desafiadoras porque ele tem características muito angulares em seu bico, asas e rabo. Detalhes angulares são mais difíceis de se trabalhar em comparação com as características mais arredondadas de outros personagens, como Simba ou Mufasa. Isso foi com certeza um desafio, também.

É usada a mesma versão do 3D nos cinemas e no Blu-Ray?

É basicamente a mesma versão; apesar de que nós mexemos um pouquinho na imagem no Blu-Ray porque a tela da televisão não é tão grande quanto a de um cinema. Nós pegamos as imagens finais e deslizamos por alguns pixels. Mas fora isso, é tudo idêntico.

Quanta participação os cineastas originais tiveram na versão 3D?

Uma das coisas legais em trabalhar neste projeto foi o fato de que nós tínhamos acesso aos cineastas originais. A participação que nós conseguimos ter dos diretores originais, Roger Allers e Rob Minkoff, e do produtor, Don Hahn, foi extremamente reconfortante. Foi ótimo ter a certeza de que o que nós estávamos implementando era a visão deles.

Por que a Disney decidiu converter O REI LEÃO para 3D?

Por que fazer isso com um filme tão maravilhoso e clássico? Ao criar esta versão 3D, nós estamos criando toda uma nova forma de arte, toda uma nova mídia. Você tem todo o encanto e toda a energia do traço feito à mão que os artistas originais colocaram no papel, mas há uma tangibilidade que você normalmente só vê em coisas que têm um quadro mais dimensional. Deixa eu te dar um exemplo… Parece que você pode tocar os personagens de TOY STORY porque eles fazem parte de um quadro realmente dimensional. O REI LEÃO 3D tem as mesmas características. Tem a tangibilidade, o encanto e, ao meu ver, se tornou uma forma distinta de animação. Mesmo se você já viu o filme umas cem vezes, você vai se sentir como se estivesse vendo pela primeira vez quando você assistir a ele em 3D.

Vamos ver mais animações clássicas da Disney em 3D?

Com certeza é uma possibilidade, mas nada foi decidido ainda. Nós temos a tecnologia disponível, mas não há planos específicos para fazer qualquer outra coisa no momento. Particularmente, eu acho que seria incrível ver algo tão vintage quanto BRANCA DE NEVE ganhar vida em 3D. Eu estou cruzando os meus dedos para que isso aconteça um dia – e que eu tenha a oportunidade de trabalhar nisso